A economia colaborativa está transformando o nosso consumo, tal como fazemos hoje, em uma tendência útil para repensarmos nossos hábitos dentro de uma sociedade capitalista.

Dentre os exemplos de economia colaborativa podemos citar a carona compartilhada.

Já pensou em quantas pessoas do seu prédio ou bairro podem trabalhar na mesma localidade que você?

Agora, imagine combinar conveniência e economia compartilhando viagens por preços abaixo da média? Incrível, não é?

E o legal é que existem até aplicativos para conectar pessoas viajando para o mesmo lugar, como o BlaBlaCar. Mais adiante voltamos a falar sobre compartilhamento de veículo.

Por enquanto, a gente quer que você entenda que a popularização desse pensamento está tornando possível o consumo colaborativo em sociedade.

Por isso, repensar nossos comportamentos e hábitos é fundamental.

Dessa maneira, propomos uma economia melhor e um planeta mais sustentável, justo e, principalmente, consciente para receber as próximas gerações.

De onde veio a economia colaborativa?

A era digital permitiu que pessoas com valores, interesses e insatisfações em comum se unissem para propor e adotar novas soluções.

Em meados de 2014, surgiram as primeiras iniciativas desse tipo de economia, visando a redução do desperdício e o combate ao consumismo exagerado.

A escritora inglesa Rachel Botsman, especialista em economia colaborativa, diz que a tecnologia potencializou o poder da colaboração otimizando espaços, competências, objetos, e possibilitando trocas numa escala jamais experimentada.

Em linhas gerais, Botsman define esse fenômeno como um sistema econômico baseado no compartilhamento de valores e serviços subutilizados, gratuitos ou por uma taxa combinada diretamente entre pessoas.

Ou seja, sugere uma nova configuração econômica em que eliminamos os intermediários tradicionais e confiamos em estranhos.

Na prática, nós fazemos isso quando pedimos um motorista pelo Uber e também quando marcamos uma hospedagem no Airbnb com alguém completamente desconhecido.

“A moeda da nova economia é a confiança.” – Rachel Botsman

O poder do compartilhamento de recursos

Segundo projeções da consultoria PwC, a economia colaborativa deverá movimentar mundialmente US$ 335 bilhões em 2025 — 20 vezes mais do que se apurou em 2014, quando o setor movimentou US$ 15 bilhões.

No Brasil, apesar da deficiência de dados, estima-se que a economia colaborativa tem potencial para contribuir, a médio e longo prazos, com mais de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor de serviços no país.

Além de contribuir para o crescimento do PIB, a economia colaborativa soluciona uma demanda de pessoas interessada em economizar, reutilizar e partilhar recursos do que em adquirir bens.

Economia colaborativa em 3 exemplos

Resolvemos trazer 3 empresas com soluções incríveis para as pessoas, atreladas a diferentes formas de compartilhamento de produtos ou serviços.

BlaBlaCar

A BlaBlaCar, por exemplo, é uma alternativa para serviços compartilhados de mobilidade.

Vamos supor que você tem um veículo próprio. Por que não ganhar dinheiro extra com o aluguel do seu carro parado?

Ou seja: você pode alugar o seu carro, que está parado na garagem ou na rua, por algumas horas para quem precisa dele, por um valor de aluguel.

Um relatório sobre economia colaborativa, publicado pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade, aponta que 92% do tempo dos carros particulares estão estacionados, ociosos.

Levando isso em conta, você ganha uma graninha e ainda pode ajudar a melhorar o trânsito na sua cidade.

É que um carro compartilhado retira, em média, de 9 a 13 automóveis das ruas, segundo o estudo Shared Mobility, da Universidade da Califórnia.

A mobilidade com compartilhamento de viagens ainda vai além e combate problemas ambientais em nosso planeta.

Em entrevista a UOL, a BlaBlaCar disse que as caronas efetuadas pela sua plataforma evitaram a emissão de 1,6 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera no ano passado.

Social Bank + Beliive

Outro exemplo de economia colaborativa é a plataforma Beliive que, recentemente, firmou uma parceria junto ao banco digital Social Bank no Brasil.

A plataforma promove o compartilhamento de tempo, talento e habilidade entre pessoas. Mas como a rede funciona na prática?

A partir do aplicativo do Social Bank ou do app Beliive, o usuário se conecta a pessoas que têm coisas boas para trocar usando o tempo como moeda.

Este é o pulo do gato. A cada troca, como, por exemplo, uma hora de aula de inglês, o usuário ganha um be. credit por ensinar a habilidade a outra pessoa.

Essa moeda (be.credit) pode ser usada como pagamento para acessar outras trocas, como aula de ioga ou experiências voltadas aos negócios, por exemplo, gestão e finanças.

De acordo com a CEO da Beliive, Lorrana Scarpioni, a plataforma propõe a colaboração entre pessoas por meio de interações e trocas de valor.

“O nosso sonho é fazer com que todos os usuários da Beliive se sintam mais abundantes e se conectem uns com os outros por meio de uma moeda que é igual para todos e também renovável. Ou seja, todos os dias, recebemos um depósito de 24 horas”, explicou Lorrana.

Além do Brasil, a Beliive está presente em outros 55 países.

Tem Açúcar

O compartilhamento de coisas com seus vizinhos também tem vez na economia colaborativa.

Esse é o caso da plataforma Tem Açúcar, lançada em dezembro de 2015, pensando na convivência em comunidade e em consumo sustentável.

O funcionamento é simples: pessoas fazem empréstimos de itens para outras pessoas, que recorrem até a plataforma em busca de produtos.

Quem pode emprestar o item, então, responde à mensagem com as condições de uso, data de empréstimo, devolução e local de encontro.

Em linhas gerais, o que é meu, é seu – por uma pequena taxa. Após o uso, os usuários fazem as avaliações um do outro para aumentar a credibilidade na plataforma.

É possível considerar ainda que a política da boa vizinhança soluciona uma problemática de itens subutilizados.

Na sua próxima compra, pense: Será que preciso mesmo gastar? Não daria pra compartilhar uma furadeira? Tomar emprestado um carrinho de bebê? Um aspirador de pó?

Por que você deve se importar? 

Fazer escolhas financeiras mais responsáveis vai muito além do impacto em suas finanças pessoais. Tem a ver com consumo consciente.

De fato, será necessário treinar seu cérebro, que pode ser refém das decisões mais rápidas e satisfatórias, para guardar dinheiro.

Mas cabe a nós buscar alternativas que contribuam com um estilo de vida mais colaborativo e com um mundo melhor para receber as próximas gerações.

No fim das contas, o que importa – de tudo que falamos até aqui – é que você precisa se adaptar e buscar conhecer ações de economia colaborativa, que beneficiem questões sociais e ambientais (bem como recomendar marcas socialmente responsáveis).