Este artigo foi criado para quem quer saber o que é franchising! As franquias têm uma história muito rica, tendo iniciado ainda no século XIX, nos Estados Unidos. No Brasil, as primeiras franquias surgiram na metade do século XX, mas foi a partir dos anos de 1980 que elas tomaram conta do mercado.

Se você tem interesse em investir em franquias ou quer atrair franqueados para o seu negócio, acompanhe o texto para saber mais sobre o tema, inclusive algumas projeções econômicas para o setor nos próximos anos.

Siga em frente e boa leitura!

O que é franchising?

O franchising, falando de modo simples, é um modelo de negócio no qual uma grande empresa, conhecida do grande público — neste cenário, chamada de franqueador —, cede o direito de uso da sua marca para outra pessoa comercializar seus produtos ou serviços — o franqueado.

Por exemplo: uma fabricante de chocolates que permite a um empresário montar uma loja com sua marca (inclusive, em uma cidade do interior) e, ainda, envia seus produtos para serem vendidos lá e dá todas as orientações ao empreendedor sobre como operar o negócio. Isso tudo dentro dos padrões de qualidade dos doces, com suas características originais de sabor, textura e embalagens.

Esse mesmo modelo é replicado em lojas de perfumaria e decoração, restaurantes de fast-food, barbearias, entre diversos outros negócios. Além de ser uma forma de abrir pequenas empresas sem precisar ter uma ideia original e formar público do zero — afinal, o produto e a marca já estão consolidados no imaginário do consumidor —, o franchising permite levar itens de qualidade a clientes de grandes metrópoles e de praças menores, mas com bom potencial de vendas.

Como funciona o sistema de franchising no Brasil?

O sistema de franchising é interessante pelos diversos fatores citados anteriormente, como a possibilidade de empreender com uma marca já conhecida e com público formado.

Um detalhe que precisa ser considerado é, justamente, o fato de que mesmo que a relação entre franqueador e franqueado possa parecer uma disputa de forças desproporcional — na qual aquele que disponibiliza sua marca para uma empresa de menor porte explorá-la na sua região aparente ser o detentor do poder absoluto —, essa relação, na verdade, é de interdependência.

Por mais que determinados padrões de marca, participações em campanhas sazonais e outras regras gerais devam ser obedecidas pelos franqueados, os franqueadores também devem estar abertos a entender a realidade de cada local e permitir adaptações que sejam mais rentáveis para o negócio como um todo. Assim, o franqueado também tem poder de decisão em muitas situações.

Suporte aos franqueados

Dito isso, o sistema de franchising funciona com um suporte bastante próximo dos franqueadores. São eles os responsáveis por fornecer orientações sobre diversos temas, que vão desde o transporte e armazenamento dos produtos, correta aplicação da identidade visual até direcionamentos relacionados a questões contábeis e administrativas do negócio.

Essas orientações podem ser dadas de diversas formas:

  • treinamentos (in loco ou a distância);
  • manuais;
  • videoaulas;
  • palestras;
  • reuniões periódicas, entre outros.

Ainda assim, é fundamental que o franqueado tenha um bom conhecimento da realidade econômica da região onde atua, além dos hábitos de consumo e até do gosto pessoal das pessoas que vivem na sua cidade. Conhecer a faixa etária média, a cultura, as tradições e outros dados relacionados à demografia regional é fundamental para fazer negócios com base na realidade, e não em “achismos”. Somente assim as metas de vendas serão atingidas.

O que define a Lei das Franquias?

A legislação brasileira relacionada a franquias foi promulgada em 1994, já depois do boom do franchising no país, com a chegada do Plano Real. Inclusive, na época, já existia a Associação Brasileira de Franchising (ABF). A Lei 8955/94 tinha como principal objetivo estabelecer algumas regras para firmar contratos desse tipo, obrigando franqueadores e franqueados a se comprometerem a cumpri-las. Resumindo: a ideia era dar segurança jurídica a todos os envolvidos.

Entre as obrigações dos franqueadores, destacam-se:

  • transparência em relação aos riscos do negócio;
  • prestação de informações sobre obrigações do início ao fim da relação;
  • padronização do suporte e transmissão de conhecimento;
  • presença ativa e suporte na instalação do negócio.

Quais são os tipos e formatos de franquias?

As franquias podem ter formatos bastante diversos entre si. Tudo depende dos modelos disponibilizados pelos franqueadores, da capacidade de investimento do franqueado e, é claro, de uma bela pesquisa perante o público antes de tomar qualquer decisão. A seguir, vamos detalhar alguns dos principais tipos de franquias. Continue com a gente!

Lojas

É o formato mais tradicional de franquia no Brasil. Responsável por quase 90% dos estabelecimentos desse tipo no país, as lojas físicas são instaladas em galerias, shopping centers, aeroportos, ou, ainda, nas próprias ruas de uma cidade — preferencialmente, em uma região central ou de bastante movimento. Elas são as favoritas dos franqueados pela possibilidade de atender um maior número de clientes com conforto, além de atraí-los com belas vitrines.

Antes de montar uma loja, no entanto, é preciso se certificar de que o investimento tem bom potencial de retorno. Afinal, trata-se de um dos modelos de franquias mais caros para um empreendedor em começo de carreira. É preciso ter o espaço físico (geralmente, alugado por valores bastante expressivos, especialmente em shoppings), investir na decoração e identidade visual, além de contratar e treinar uma equipe capaz de atender os clientes dentro do padrão da marca.

Outros custos envolvidos são o pagamento de impostos, manutenção e limpeza, além de eventuais emergências, para as quais sempre é importante guardar um montante. Nunca se sabe quando um problema no telhado, encanamento ou outra questão relacionada ao imóvel pode ocorrer. Para quem tem lojas nas ruas, investir em sistemas de segurança também é essencial.

Contêineres

Uma novidade que vem ganhando mais espaço são os contêineres. Instalados em centros comerciais, shopping centers e até mesmo em praças, parques e outros locais externos com grande circulação de pessoas, os contêineres são uma alternativa mais econômica para começar uma franquia.

Apesar do custo mais baixo, nem todo negócio se adapta a um espaço tão pequeno. Além disso, também surge uma limitação em relação à quantidade de pessoas que podem ser atendidas simultaneamente. No entanto, o contêiner pode ser uma solução interessante para serviços como barbearia, manicure, entre outros, que demandam atendimento individual e especializado por mais tempo.

Quiosques

Os quiosques são bastante populares. Geralmente, são instalados em shoppings, aeroportos, rodoviárias e outros ambientes com presença massiva de pessoas diariamente. Eles exigem um investimento mais baixo do que as lojas, mas estão próximos do mesmo público que elas. Porém, não oferecem o conforto necessário para determinados segmentos, nem têm a mesma capacidade de estoque.

Food Trucks

No setor alimentício, os food trucks surgem como uma excelente alternativa para montagem de uma franquia. A mobilidade é sua principal característica — se hoje o movimento está baixo no centro da cidade, já que todos foram para a praia, o food truck pode ir atrás! Claro que tudo isso depende de licenças de funcionamento a serem fornecidas pela prefeitura municipal, e cada cidade tem suas leis.

As participações em eventos, festivais de comida de rua e outros tipos de ações promocionais ou culturais são mais uma vantagem desse tipo de franquia. O importante é estar bem informado sobre a agenda da cidade e até mesmo de localidades vizinhas e buscar se inserir no mercado.

Franquias domésticas

Essa é a franquia que depende do menor investimento, pelo menos no que diz respeito a ambientes para atender ao público. Como geralmente estão relacionadas a serviços de entregas ou outros que não dependem de um local para receber os clientes, o simples aluguel de uma sala comercial ou, ainda, um cantinho em casa mesmo pode servir como base da operação.

Como funciona a taxa de franquia?

Em geral, as franquias operam com algumas taxas, que são cobradas pelos franqueadores para que os franqueados possam utilizar sua marca. Confira as principais:

  • taxa de aquisição — é cobrada no momento em que o negócio é fechado e o franqueado adquire os direitos de uso da marca;
  • taxa mensal — cobrança pelo recebimento de produtos ou manutenção dos sistemas de suporte.

Qual a diferença entre taxa de franquias e royalties?

Algumas franqueadoras também fazem a cobrança de royalties. Esse valor se refere a uma porcentagem sobre o resultado que o franqueado teve com suas vendas em um determinado período — que pode ser mensal, semestral ou anual.

Quais os direitos e deveres do franqueador e franqueado?

Neste tópico, vamos listar os principais direitos e deveres do franqueador e do franqueado. Acompanhe!

Direitos e deveres do franqueado

Entre seus direitos, estão o uso da marca ou patente do franqueador, além da distribuição exclusiva ou semiexclusiva de seus produtos ou serviços. O franqueado também pode utilizar tecnologias de administração do negócio, sistemas informatizados para operação da franquia e ter acesso a informações necessárias para o bom funcionamento da empresa. Não se cria nenhuma espécie de vínculo empregatício.

Seus deveres incluem o cumprimento de tudo o que foi acordado em contrato, desde que o documento siga a legislação brasileira, sob pena de ser multado e, até mesmo, ter seu contrato rescindido.

Direitos e deveres do franqueador

O franqueador tem o direito, mediante contrato, de exigir do franqueado uma atuação comercial que esteja de acordo com os formatos de atuação da empresa. Ao ceder o uso da marca e o know-how para que a operação prospere, o franqueador tem direito à cobrança de taxas de aquisição e royalties, de acordo com o que prevê a legislação.

Os seus deveres são, basicamente, relacionados aos direitos do franqueado: ceder o uso da marca e proporcionar o suporte necessário para que o negócio tenha plenas condições de funcionamento, sempre respeitando as leis, sob pena de ressarcir eventuais prejuízos do franqueado.

Qual a perspectiva de crescimento do mercado de franquias no Brasil?

Em 2018, o crescimento do faturamento das franquias no Brasil foi de 7%, portanto, bem acima do Produto Interno Bruto (PIB) no mesmo período, que foi de 1,3%. Os dados são da Associação Brasileira de Franchising (ABF). A geração de empregos também foi destaque, com crescimento de 8%.

Se as previsões de crescimento da economia brasileira se confirmarem para os próximos anos, a tendência é que as franquias acompanhem essa evolução e obtenham resultados mais significativos.

Quais cuidados se deve ter com o sistema de franquias?

As franquias podem ser um ótimo negócio, mas o empreendedor não deve se enganar imaginando que, simplesmente ao replicar um modelo de negócio bem-sucedido, ele alcançará os mesmos resultados. Já o franqueador deve se certificar de deixar essas questões bastante claras ao franqueado. Vejamos alguns cuidados necessários antes de investir em uma franquia:

  • oferta de meios de pagamento variados — é essencial estar habilitado a vender com diferentes meios de pagamento, desde o recebimento de dinheiro até contar com máquinas de cartão de todas as bandeiras disponíveis no mercado, nos modos débito e crédito. Pelo menos, enquanto elas existirem! Já é bom ir se adaptando e ofertar meios como QR Code, pagamentos contactless e outras novidades;
  • conhecer o ramo — como alguém com nenhum interesse por fast-food terá sucesso ao adquirir uma franquia desse tipo? É preciso estudar, entender sobre os detalhamentos do negócio, quais seus pontos de atenção, o que pode dar errado e se prevenir. Conversar com pessoas do ramo e ler muito são os primeiros passos a serem dados, mas ter uma boa noção da realidade local também é mandatório. Também pegue dicas de marketing para saber mais sobre o segmento em que vai atuar;
  • escolha de um bom ponto — por mais que as franquias sejam desenvolvidas com base em marcas conhecidas, não se deve imaginar que simplesmente o poder de um produto de qualidade ou de uma empresa famosa vai atrair o público se o ponto onde a loja estiver instalada for distante ou localizado em áreas pouco movimentadas;
  • alinhamento de expectativas — se, por um lado, a franquia é um tipo de negócio próprio, por outro lado, o franqueado deve se reportar ao franqueador frequentemente. Por isso, entender o que a marca que está cedendo seus direitos busca é fundamental para que os resultados sejam atingidos e todas as partes fiquem satisfeitas.

Ao longo do artigo, buscamos explicar o que é franchising e detalhar um pouco mais sobre esse incrível mundo das franquias. Uma forma mais segura de investir em um negócio, porém com menos liberdade do que se o empreendedor apostar em uma ideia própria, as franquias já contam com uma tradição de mais de 50 anos de sucesso no Brasil.

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